Professor Galopim de Carvalho

O Avô e os Netos Falam de Geologia

ÂNCORA EDITORA

albano
Sobre esta nova obra do Professor Galopim de Carvalho escreveu José Batista da Ascenção, Professor de Biologia e Geologia da Escola Secundária Carlos Amarante (Braga):
Este livro é uma ideia tão feliz quanto necessária e útil. O seu valor pedagógico é comparável aos cadernos de iniciação científica de Rómulo de Carvalho. Com uma diferença que lhe acentua a utilidade: é que me parece que precisam tanto dele os jovens alunos como os professores do ensino básico e secundário que temos e em que me incluo. Recomendá-lo-ei aos meus alunos do secundário, assim como tomarei a iniciativa de o recomendar aos colegas de grupo disciplinar e ainda solicitarei à direcção da Escola que adquira meia dúzia deles para a biblioteca.




PRÉ-PUBLICAÇÃO DO PREFÁCIO DA AUTORIA DO PROFESSOR RUI DIAS
(Universidade de Évora)

(A obra será lançada no dia 1 de junho de 2017, às 18h00, no Auditório da Feira do Livro de Lisboa / Parque Eduardo VII)


É difícil resistir ao primeiro impulso de… sentir "inveja" do Domingos, da Francisca e do Mateus. Apesar de ser um sentimento que não se deve cultivar, como não ansiar pela possibilidade de sermos personagens activas em torno daquela magnífica mesa de ardósia, onde as refeições vão alternando com histórias nas quais o quartzo e o basalto adquirem o mesmo encanto e mistério dos príncipes e dos dragões?
Mas não nos deixemos enganar ficando a pensar que ao longo do livro vamos encontrar histórias infantis que servem apenas para passar o tempo que se leva a lê-las. Aliando o fantástico dom de contador de histórias a uma enorme experiência de Professor construída ao longo de mais de meio século o Professor, que foi e será sempre, vai claramente contra a moda que infelizmente é tantas vezes dominante no mundo actual, de achar que os jovens têm que ser cativados com "historinhas" simples e de fácil apreensão recheadas de banalidades. Em torno da velha mesa de ardósia, aos jovens netos não é ensinado que o quartzo é formado por "bolinhas" muito pequeninas que são os átomos, e que há uma mais "pequenina" de silício, por cada duas "maiorzinhas" de oxigénio. O Avô Professor não tem dúvida que os netos, apesar de muito jovens, têm capacidade para muito mais e que a verdadeira cultura científica tem que estimular o desejo de compreensão dos processos, não tendo nada que ver com o simples acumular de informações banais. Utilizando exemplos muito simples e fáceis de compreender (mas que só a sua experiência é capaz de imaginar), que vão desde o cubo de Rubik, à relação de forças entre manifestantes e polícias, os netos vão aprendendo a "arrumar" os átomos em malhas cristalinas… que existem vários tipos de malhas cristalinas… formadas por elementos químicos diferentes… e unidos por forças de diferentes intensidade e… e…
É esta preocupação em transmitir principalmente formação e não se ficar por meras informações, que torna este livro adequado para "miúdos" e "graúdos", principalmente para alguns "graúdos" que têm por missão ensinar os "miúdos"… isto é… os Professores.
Por tudo isso é para todos nós uma enorme sorte que o Professor Galopim tenha resolvido partilhar a sua mesa de ardósia com os milhares de "netos" que somos todos nós que tiveram a sorte de ter sido seus alunos, ou pelo menos de ter assistido a uma das suas cativantes "conversas" tão cheias de sabedoria e de ternura. Estou certo que o Domingos, a Francisca e o Mateus não se importam de ter em torno da SUA mesa de ardósia mais uns quantos (muitos) "netos". Afinal de contas, alguns destes "netos", como eu, estão já a caminho de… serem "avós", pois tivemos a sorte de ser alunos do querido Professor Galopim há quase 40 anos… e até já foram professores do Nuno e do Rui, os filhos do Professor!
Com muita amizade, um enorme obrigado ao Professor por nos ter convidado para a sua mesa de ardósia… e pela honra de me ter convidado para escrever este prefácio.





Albano Martins

Pequeno Dicionário Privativo
seguido de Um Punhado de Areia

ED. AFRONTAMENTO

albano
O poeta Albano Martins surge com nova obra na sua marcante atividade literária: Pequeno Dicionário Privativo seguido de Um Punhado de Areia vai ser lançado dia 24 de Maio, às 18 horas, no carismático espaço da portuense Livraria Lello (também conhecido por Armazéns do Castelo). Com a chancela da Editora Afrontamento, a apresentação do livro estará a cargo da Professora Maria Luísa Malato, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Trata-se de um trabalho que integra poemas em prosa de um autor que há quase sete décadas se distingue por uma criatividade poética que levou um dia Eugénio Lisboa a defini-lo assim: «um poeta vital». Do mesmo modo, o ensaísta Eduardo Lourenço considera que a poesia de Albano Martins é uma «música que o transcende como ele se transcende nela».

                Ovídio traduzido por Albano Martins

Ainda no dia 24 (naquele local e à mesma hora), o Professor Sebastião Tavares de Pinho, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, apresentará Poemas do Desterro, de Ovídio, que inscreve algumas das mais significantes elegias dos volumes Tristia (Tristes) e Epistulae ex Ponto (Cartas do Ponto) do célebre poeta latino nascido no século I a.C., obra que pôde contar com o saber e a mestria, a ética e a estética a que Albano Martins já nos habituou ao traduzir nomes maiores da cultura universal, da antiguidade a contemporâneos, devendo sublinhar-se, neste domínio, a notável Antologia da Poesia Grega Clássica.

                O primor da síntese

Com uma obra vastíssima, Albano Martins publicou o seu primeiro livro, Secura Verde, em 1950, e recentemente deu também aos seus leitores o terceiro volume de Circunlóquios (Edições Universidade Fernando Pessoa), reunindo ensaios e crónicas em torno, nomeadamente, de figuras da literatura e da pintura, entre outras reflexões que testemunham muito do poeta. Esta edição fecha com quatro entrevistas feitas a Albano Martins por Accacio de Freitas, Isabel Vaz Ponce de Leão, Álvaro Cardoso Gomes e Jorge Valentim.
Num labor único, Albano Martins mantém-se, incansável, a aprimorar a palavra, cada verso destinado à sublime síntese do dizer poético.

MAS



Da sua nova obra, Pequeno Dicionário Privativo seguido de Um Punhado de Areia, registamos aqui dois breves poemas em prosa:

            GRILO

É seu o verão, se o quiser. Basta-lhe abrir as asas. Está lá toda a música dos fenos e o oiro das searas.

            TEMPO

Árvores que somos, passam por nós, em corrida, as estações. Sem ruído, caem no chão as folhas e apodrecem. Quem as recolhe é um cão ladrando aos astros — que ninguém ouve.





Graça Pires

Uma Claridade que Cega

POÉTICA EDIÇÕES


Mais de cinco dezenas de poemas integram o novo livro de Graça Pires, intitulado Uma Claridade que Cega. Da poesia límpida, da harmonia e da beleza metafórica a que Graça Pires já nos habituou, transcrevemos desta obra o poema seguinte:

Enterro no chão a multiplicidade
de despojos antigos.
São de pedra como as casas envelhecidas
onde as teias roçam todas as traves
e se cruzam com a poeira dos móveis.
São lobos vagueando pela noite
a farejar insónias.
São raízes enredadas nos artifícios
da idade, nas preces de cada dia,
nos retratos de família.
Procuro agora a fonte mais distante
para inscrever na água corrente
a sublime nudez da juventude.
E alinho contra os muros
os sonhos que morreram no meu peito.






Livros infantis (mas úteis para toda a família)

   • Atento ao Medicamento
   • A Ilha dos Diabretes

COEDIÇÃO: PATO LÓGICO E ORDEM DOS FARMACÊUTICOS

sameiro
Um tema que poderia ser trivial, Carla Maia de Almeida torna-o apelativo, cumprindo na perfeição, com terna sensibilidade, o objetivo pedagógico de como relacionarmo-nos com o medicamento. O livro Atento ao Medicamento, primorosamente ilustrado por João Fazenda, tem uma feição juvenil, como acontece no universo criativo da Pato Lógico, mas neste caso destina-se e afirma-se útil para toda a família sem limite de idade. A autora convida-nos, para começo de passeio, a visitar o Bairro Alexandre (evocação de Alexandre Fleming, o escocês que descobriu a penicilina) e logo no encontramos no interior da farmácia local. Aprendemos sem custo o que são, como se fazem, para que servem e como deveremos lidar com os medicamentos que o médico nos receita. Uma digressão aliciante, página a página, por tudo quanto de essencial devemos saber sobre um tema incomum numa obra literária e artística.

sameiro
Na mesma linha foi também editado A Ilha dos Diabretes, de Carla Maia de Almeida, Cristina Cunha Cardoso e Pedro Borrego, , ilustrado por João Fazenda, decididamente um dos artistas portugueses de superlativo talento na área da comunicação gráfica.
E assim se fala sem drama, sem medos, da diabetes, na doença que pode acontecer em qualquer idade e urge saber como preveni-la, tratá-la, combatê-la.      
Dois livros de obrigatória leitura e deleite visual por filhos, pais e avós.



andre Uma consideração final para sublinhar a inventividade e dinâmica editorial de André Letria, que, rodeado por uma equipa de excelência, tem vindo a impulsionar a Pato Lógico a um nível distintíssimo no espaço da literatura infanto-juvenil portuguesa.







Maria do Sameiro Barroso

Dois novos livros de poesia

ED. LIVROS AEDO

sameiro
Com uma poesia cada vez mais voltada para um Eu que inteiramente se dá ao Outro no «corpo das palavras», sem deixar de cuidar da intensidade imagética, são dos dois últimos livros de Maria do Sameiro Barroso («As Suturas do Tempo» e «Ilhas/Labirintos») os três poemas que sublinhamos neste espaço.
Poeta, ensaísta, tradutora, investigadora nas áreas das literaturas portuguesa e alemã, Maria do Sameiro Barroso tem ainda, enquanto médica, dedicado muito de si ao estudo da História da Medicina. Entretanto, a sua obra poética alcança reconhecimento também a nível internacional. Refira-se, por exemplo, o facto de haver agora, com o livro «Los Molinos del Tiempo» — poemas que escreveu em castelhano—, integrado o grupo dos vinte finalistas do Prémio Fernández Labrador (Salamanca), selecionados entre mais de três centenas de candidatos. .


           Teias

Desço a garganta da noite. Sei que é estreito
o meu rosto, é estreito o teu rosto.
A morte respira com os seus alvéolos negros.
Abcessos de cinza desenham o ritmo do tempo.
No cérebro, uma estrela trespassa a oxidação
dos sonhos.
Sei que desejas que a noite se desfaça
na sua fulguração ambígua.
Sei que o horizonte é uma concha plúmbea,
um porto onde chegas, cego,
à escarpa, ao silêncio, à umbela azul de ti.
De tudo sei, porque é Novembro.
Conheço o coro dos anjos envenenados.
É neles que penso quando a doçura
dos rouxinóis se incendeia
no canto do teu corpo em surdina.

            (Do livro «As Suturas do Tempo»


           Canto e Silêncio

Gosto quando o peito se abre
e as pombas rolam no corpo carregado
de metais pesados,
e amo o céu, as violetas, um violino
espasmódico,
no teu abraço, terna lunação,
límpida boca.
Gosto do teu perfume, canto e silêncio
de um deserto macerado,
ave em surdina solta entre lábios, dedos,
descobrindo oceanos, cometas subtis,
doces ditirambos a flutuar
no céu destruído das cidades que sofrem
cada vez mais
num luar de ogivas brancas.

            (Do livro «Ilhas/Labirintos)


           Coágulo de Estrelas

Para António Ramos Rosa, a 23 de Setembro de 2013

 

As lâmpadas não deixam de tecer-te,
agora que as éguas da noite te reclamam
para o seu redil sagrado.
Sempre viveste por dentro das galáxias pulsáteis.
Sei que apenas te devolves a ti mesmo.
Uma chuva de lágrimas atravessa
o litoral íngreme do teu canto.
Pernoitas agora com as folhas mais puras.
Devo-te um punhado de lírios,
um coágulo de estrelas, um manto feérico.
Uma língua de enigmas cobre o teu rosto,
a tua sombra  transparente e azul,
os livros que leio e releio,
suspensa da janela exacta que derrama
um cristal amarelo, um vento marinho,
um rosto de sol, um rasto sempre verde,
a tua palavra, ouro primordial,
transfusão benigna
vertida na página em branco.

            (Do livro «Ilhas/Labirintos)







Albano Martins

Desta Varanda, o Mar

ED. SIMPLESMENTE


pessoa «Desta Varanda, o Mar» é o novo livro de Albano Martins, escritor que há mais de seis décadas marca o universo da poesia portuguesa, evoluindo para a síntese perfeita na qual o poema mínimo ganha a totalidade da palavra enquanto expressão máxima e única do Ser.
Trata-se de uma edição bilingue (português e castelhano — numa tradução assinada por Alfredo Pérez Alencart), reunindo quatro dezenas de poemas. Tal como é sublinhado em nota editorial, alguns destes poemas «prolongam, no espírito e na forma, a atmosfera do Livro das Perguntas, de Pablo Neruda», autor chileno que Albano Martins traduziu para a língua portuguesa, nomeadamente a obra Canto Geral, e a quem presta deste modo uma singela homenagem.
«Desta Varanda, o Mar», que tem a chancela das Edições Simplesmente, registamos alguns momentos do encontro de Albano Martins com o mar que o inspira:

Desta varanda, o mar
é apenas um coração
que pulsa, rouco, na escuridão.
____________________________________________
A saudade do cais não é de pedra,
é de água. Que o digam os olhos
dos que partem, dos que ficam.
____________________________________________
Se um dia o mar
adoecer, quem lhe cura
as feridas?
____________________________________________

A aquisição deste livro pode fazer-se contatando:
Edições Simplesmente
simplesmente.simplesmente@hotmail.com



António Carlos Cortez

O Nome Negro

RELÓGIO D’ÁGUA


pessoa Poeta marcante do mundo literário contemporâneo, António Carlos Cortez surge agora com O Nome Negro, livro que vem reafirmar a excelência da expressão criativa de um autor que primorosamente lida com a arte da significação, dizendo-nos, por exemplo, que «às vezes falar é um silêncio».

Registamos um poema de O Nome Negro:

A ÚNICA VERDADE

O corpo é a casa e a casa o lodo
e rondando a casa o mês de outubro

ou seria setembro o mês do estupro
fantasmas no dorso dum cavalo nocturno?

Meu pai morria morrendo de vida
e a casa era a espera em que eu m’esperava

Vi o corpo da morte opaco e sedento!
vincando em seu corpo o acordo tácito

Foi há mais de dez e parece ser hoje
no exacto momento em que o mundo explode

Verdade tão dúbia dos mortos fantasmas
Seus nomes existem em simples retratos

E quando agora tu entras em casa
que corpo é o teu se a casa não basta?






Margarida Vale de Gato

Mulher ao Mar

ED. MARIPOSA AZUAL


pessoa Assinalamos a terceira edição da obra Mulher ao Mar, de Margarida Vale de Gato, autora que marca a poesia contemporânea portuguesa. O livro (capa de António Poppe e Joana Fervença), integra mais de meia centena de poemas e dele reproduzimos:

A Imagem Romântica

Há outras coisas, Horácio,
e a tua filosofia é barata,
na verdade não custa fixar
as coisas ideais à distância:
terás vista panorâmica
mas sempre a visão é polémica.

Gostava que alguém me mostrasse,
mas não terei nunca garantia
de que envelhecer faça sentido.

As pessoas prostram-se, queremos que nos digam
porquê não haver luz nos seus rostos. Crestam
os cravos, antes rubros. Não há modo
de saber se as monarcas
têm memórias arenosas de lagarta.
Tudo sucede dentro de estanques
casulos, a seda é densa,
não se faz ideia
se isto acaba. Estrelas foscas
correm, pessoas morrem, a vida
é breve, impávido o
real se esquiva a designar.
Comparar é colidir: o verbo
talvez nos leve
a mais nenhum sinal.







Jorge Morais

Os Últimos Dias da Monarquia

ZÉFIRO


pessoa Jorge Morais tem um percurso jornalístico pouco usual, somando um número surpreendente de publicações periódicas onde desempenhou cargos tão diferenciados como repórter, diretor ou até fundador. Dessa azáfama um tanto inglória pouco se evocará, ao contrário da vertente consolidada nos últimos anos como figura de proa da historiografia portuguesa do período epilogar da Monarquia. O veteraníssimo António Reis, autor do prefácio de Os Últimos Dias da Monarquia, resume notavelmente o autor e a obra: «Dotado de um notável poder de síntese e servido por uma escrita ágil e fluente, Jorge Morais consegue prender o leitor da primeira à última linha sem nunca sacrificar o rigor da investigação ou evitar a convocação do imprescindível corpus documental».
Jorge Morais relembra neste livro a figura de Eduardo Schwalbach, autor teatral e por mais de uma vez diretor do Diário de Notícias, que em 6 de Outubro de 1910, telegrafando o fim da Monarquia para a Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, escreveu com uma ironia de fel: «Ao cabo de longos e porfiados esforços, os monárquicos acabam de implantar a República em Portugal». Em Abril de 1908, pouco depois do regicídio, dois dirigentes republicanos e um áulico da Corte de D. Manuel II congeminaram, em casa de Bernardino Machado, um pacto de tréguas que convinha às duas partes: exonerando os republicanos da má fama de envolvimento na matança do Terreiro do Paço, daria à Monarquia o "benefício da dúvida" e ao regime um último fôlego, tão necessário no início do novo Reinado. Apesar de acarinhado pelo jovem Rei e apoiado pelo primeiro-ministro, o pacto foi frustrado nos corredores do Poder pela feroz oposição de um dos líderes monárquicos; e a sua inviabilização esteve na origem da opção revolucionária dos inimigos do regime, que acabaria por conduzir à instauração violenta da República, em 5 de Outubro de 1910. Apesar da sua importância para a compreensão do processo republicano português, o "Pacto Liberal" (como então se lhe chamou) tem permanecido até hoje omisso na história "oficial" do período. É dessa trégua gorada que este livro se ocupa, documentando os últimos dias de um regime condenado pela cegueira de muitos e pela ambição de alguns.



Regicídio — A contagem decrescente


pessoa
Do mesmo autor e na mesma editora, este livro abre novas pistas no conhecimento do período sombrio da transição da Monarquia para a República. Os monárquicos dissidentes e a Carbonária envolvidos no conluio para derrubar a Coroa Portuguesa. A crónica, a par e passo, de uma trama que vitimou o Rei e o Príncipe Real em 1908 e deu lugar, 33 meses depois, ao fim da Monarquia Constitucional e à instauração da República no nosso país. Num texto de grande rigor historiográfico e inteiramente baseado em fontes certificadas, usando uma linguagem acessível e cativante, Jorge Morais retrata o caos de uma Nação no limiar do "século do povo".
Outra obra de referência que em larga medida complementa (ou antecede) a anterior.









Patrícia Portela

Wasteband

CAMINHO


pessoa De Patrícia Portela já se disse que é «uma talentosa desarrumadora de ideias feitas». Não menos original é a definição de Miguel Real: «A autora mais desconcertante da literatura portuguesa». Patrícia tem passado os últimos tempos a fazer viagens virtuais (ao universo paralelo de si própria, dizemos nós), como encenadora, dramaturga, cenógrafa… Também agora com este Wasteband — vocábulo inglês que significará qualquer coisa como o seguinte: «… faixa de tempo perdido que dá forma aos dias, estendendo os momentos de espera em detrimento dos que exigem ação…» etc.
Devemos reconhecer que, desconcertando-nos, Patrícia Portela consegue deslumbrar-nos.
Reencaminhamos uma sinopse:

Em oito minutos e meio Sergei Krikalev ultrapassa a atmosfera e perde a gravidade; Tânia senta-se à espera; o vizinho de Krikalev constrói uma ponte para chegar ao Espaço mantendo os pés assentes na Terra; a Lua cai numa praia cheia de sapos; a União Soviética desmorona-se; e José, deitado numa cama de hospital, conclui que o que lhe faz falta não são as pernas que perdeu mas as impressões digitais dela: pede um coração artificial e faz restart. Como está cientificamente provado que não nos podemos lembrar de mais do que sete coisas ao mesmo tempo, Tânia esquece José. Sergei Krikalev pensa em chorar mas não vale a pena: no Espaço as lágrimas não caem, só causam chatices. E há oito minutos e meio atrás? O melhor é fazermos rewind para avançar na história.



Então vam’lá, Patrícia, já que se perdeu um título sublime:

                              NO ESPAÇO AS LÁGRIMAS NÃO CAEM






Jacinto Alves

Ensaio Sobre a Doutrina do Quinto Império

CHIADO EDITORA


O ensaio sobre A Doutrina do Quinto Império, da autoria de Jacinto Alves, propõe aos leitores interessantes reflexões quanto à complexidade do ser humano na sua vivência social, política, científica, económica, cívica e espiritual. Num trabalho de grande pesquisa e análise, que vai nomeadamente ao tempo, pensamento e ao «verbo forte» do Padre António Vieira, o ensaísta fundamenta-se também na visão pessoana e diz: «É chegada a hora! A mesma hora a que se refere Fernando Pessoa no seu poema Mensagem (...)» A hora — adianta Jacinto Alves, de a Humanidade despertar para «a realidade da vida», de modo a que possa «compreender a razão da sua própria existência».
Com a chancela da Chiado Editora, o autor foca nesta obra a Doutrina do Racionalismo Cristão (matéria da qual é há longos anos um profundo estudioso e seguidor) ousando mesmo relacioná-la com a Doutrina do Quinto Império numa «perspetiva espiritualista e histórica». E parte daí para abordagens e desafios pelos quais, na sua opinião, terá de passar a conquista de uma nova «cidadania social», respeitando «o livre arbítrio de cada cidadão», a participação de todas as gerações, realçando entretanto «um peso determinante e expressivo» que as «gerações mais idosas virão a ter (...) para o desenvolvimento espiritual e material das novas comunidades do século XXI».
Ligado a diversas atividades associativas, Jacinto Alves é igualmente colaborador do semanário O Regional de S. João da Madeira e publicou em 2010 o livro Operação: Quinto Império.






Ernesto Rodrigues

A Casa de Bragança

ÂNCORA EDITORA


pessoa Ernesto Rodrigues abre o seu romance A Casa de Bragança com o casamento de D. Inês e D. Pedro nesta cidade, onde lhes nascera o segundo filho, D. João de Portugal e Castro, calhado para um trono que as vicissitudes pessoais e históricas entregaram ao meio-irmão D. João I. Essa figura é reabilitada na memória da família Roiz, cuja casa triangula a igreja de Santa Maria e a Domus Municipalis, outras moradas dentro da vila e cidadela, o que significa contar as origens do burgo, a construção do castelo e a linhagem dos Rodrigues, desde 1014, coetâneos da nacionalidade e dos Bragançãos, de que Inês de Castro também descende.
A narrativa é organizada por Afonso Roiz, cujas relações com os filhos do Mestre de Avis nos apresentam D. Afonso, primeiro duque de Bragança, D. Pedro e suas andanças europeias, D. Fernando e seu martírio em Fez, além da amizade com o segundo duque de Bragança, D. Fernando, requerente junto de D. Afonso V da carta de foral que faz de Bragança cidade (20 de Fevereiro de 1464) e o mesmo Afonso Roiz traz de Ceuta.
O manuscrito deixado por este é recuperado por outro Afonso Rodrigues (nascido em 1956), que não só acompanha as celebrações do quinto centenário do foral (1964), como, meio século depois, resolve enigmas da sua vida.



Novo livro de poemas e Raul Rego em antologia

pessoa


De assinalar que Ernesto Rodrigues lança na mesma ocasião o livro Do Movimento Operário e Outras Viagens, reunindo 40 poemas de quem se estreou, na poesia, há 40 anos. Com organização e introdução do mesmo autor foi editado recentemente, pelo Grémio Literário Vila-Realense, a frutuosa antologia Os Meus Livros e Outras Crónicas, que seleciona alguns textos memoráveis do histórico jornalista Raul Rego, cujo centenário acaba de celebrar-se. .









Valter Hugo Mãe

A Desumanização

PORTO EDITORA


pessoa «As mães têm uma sonda que assinala os filhos num mapa emocional muito preciso. Assinala os seus movimentos, o próximo ou distante que estão. Dizia assim. As mães sabem. Como se tivessem um mapa em forma de coração, cheio de pequenas luzes avisando dos ventos, das tempestades, exposto diante dos olhos filtrando tudo. Antes de verem o chão e as paredes da casa, antes de verem o gado e os rostos dos maridos, as mães veem o coração onde mapearam os filhos e a partir do qual ponderam as tempestades».
Este pedaço de prosa pertence à obra A Desumanização, novo romance de Walter Hugo Mãe. Um autor que já nos habituou a uma escrita de excelência e alcança neste livro a profundidade maior das palavras, quer do ponto de vista estético-narrativo, quer na matéria tão sensível da teia romanesca. Sublinhe-se também a beleza das ilustrações da capa e do texto, assinadas por Cristina Valadas.





Albano Martins

• A Estrela Coralina
• O Balão

ED. AFRONTAMENTO


pessoa Como pode dizer-se tanto em tão poucas palavras?, essas que chegam para contar a história de A Estrela Coralina, com espantosas ilustrações de Sílvia Silva, ou a do pequeno André de O Balão, que Marta Belo ilustra num traço magnífico. É o poeta Albano Martins a trabalhar também na literatura infantil os contrários dos mundos, o dos homens e os da natureza, e fá-lo com a essência de uma escrita nobre na sua singeleza e profundidade. São dois livros para crianças com os quais os ditos adultos só terão a ganhar se os lerem como merecem ser lidos.





José Barata

A Vida na Corte Portuguesa

ED. VERSO DE KAPA


pessoa Investigador laborioso das realidades recônditas da História portuguesa, o médico José Barata já nos surpreendera com um livro cuja temática era originalíssima: As doenças e a morte dos Reis e Rainhas na Dinastia de Bragança. Oferece-nos agora uma obra que, no mesmo âmbito temático, procura reviver um percurso histórico de 760 anos da corte portuguesa, salientando os momentos marcantes do seu quotidiano, os espaços vivenciais, os eventos solenes e as cerimónias de representação.
A corte, o espaço referencial do sistema monárquico, constituía uma estrutura multifacetada de caráter político e social onde o soberano, coadjuvado pelo aparelho governativo, traçava os destinos do reino e na qual a família real e o seu séquito disfrutavam de um quotidiano festivo e de esplendor, não raramente conspurcado pela conspiração e pela intriga. O  rei, centro do poder curial, afirmava a sua majestade pela sumptuosidade dos palácios, pela  ritualização dos banquetes e  pela exuberância das indumentárias. A celebração dos eventos relevantes do “ciclo humano da família real” proporcionava  momentos  estratégicos de afirmação de poder e de  visibilidade da corte.  Casamentos, aclamações e funerais constituíam pretexto para aparatosas encenações que traziam para a praça pública os rituais e a etiqueta da corte, com o objetivo de exaltar a figura do rei e suscitar a admiração dos súbditos.





Miguel-Manso

Tojo

ED. RELÓGIO D´ÁGUA


pessoa Miguel-Manso reúne em «Tojo» alguns dos seus melhores trabalhos poéticos. Uma poesia singular. Destacamos o poema:

Sob os Pâmpanos das Vinhas Altas

a sombra densa inteirou o dia, oiço
os ramos mexer, a nuvem sobrevoar a demora
pátio e cozinha entardecendo

ideio a ideia com a tinta do sinal, gato
roça lá fora na perna
de um corpo longínquo pregado à leitura

debaixo da latada e dentro
da cozinha acumula-se a cinza na balança do volvido
longe da hortícola labareda

fosse evidente e não era algo, não avivava
na vide, na terra, na vedação
esta seara do domínio ou da doçura do louvável
rompendo o ciclo do chão

muro desigual em redor, pássaro
silente que sempre pousa na cicatriz de um verso
sombra que precede a chuva
que precede – não a agonia – mas o coração
que a precede






Manuel Coelho dos Santos

Quando o Porto Tinha Voz

ED. FUNDAÇÃO ENG. ANTÓNIO DE ALMEIDA


pessoa Homem de cultura e de convicções, empenhado com estoicismo na luta pelos direitos humanos, Manuel Coelho dos Santos advogou no Porto mais de meio século. Uma carreira profissional que a Ordem dos Advogados exaltou em 2010 com a Medalha de Honra. Militante antifascista, foi candidato a deputado pela Oposição em 1957 e 1969 e defensor de presos políticos no Tribunal Plenário, durante a Ditadura. Integrou o núcleo de oposicionistas do Porto — o grupo dos "democratas independentes do Porto" — que esteve na origem da candidatura do general Humberto Delgado à presidência da República, em 1958. Ainda antes do 25 de Abril participou na fundação da Acção Socialista Portuguesa e do Partido Socialista.
Falecido recentemente (2012), deixou-nos em edição póstuma este livro de memórias vivas sobre inúmeros combates políticos mantidos incessantemente desde o início dos anos cinquenta. É um trabalho hercúleo de documentação histórica, dedicado aos «crentes na Liberdade e na Democracia, meus mestres.» Sempre frontal e mordaz, acrescenta: «Se eles fossem vivos, não sei o que pensariam desta democracia que, ao fim de quase quarenta anos, se refugia no manto moderno da Direita. Ou o que pensariam de uma Europa, em que estamos integrados, onde a palavra solidariedade deixou de ter qualquer significado».
De assinalar que esta obra, com cerca de 400 páginas, encerra com um caderno em quadricromia repleto de valiosos testemunhos fotográficos.





Gonçalo Salvado

Seminal

ED. LUA DE MARFIM


pessoa Seminal, o mais recente livro de Gonçalo Salvado (o oitavo de uma obra portentosa) traz-nos de novo um poeta ímpar na celebração do amor, do belo erótico. Desta obra prefaciada por Albano Martins, com ilustrações de Ambrósio Ferreira, destacamos o poema:

No pomar do teu corpo
todos os frutos
são de pecado

Mais além da eternidade
imutável é o tempo
que a teu lado passo






Jorge Reis-Sá

Instituto de Antropologia

ED. GLACIAR


pessoa
Poesia de Jorge Reis-Sá acaba de ser reunida no volume Instituto de Antropologia. Destacamos:

Dinner at Eight

Para o meu pai

Já não há melancolia possível. Acabou no dia em que esta
música chegou nas asas de uma borboleta e eu, lembrando
personagens de um romance, Fernando, Augusto, António,
me soube amargo pelo grito de um filho. Também sou filho.
E no entanto não tenho um pai com quem gritar.

Esta música faz-me chorar. E eu não tenho como repeti-lo,
falar do nosso jantar — lembras-te, pai, do arroz de tomate,
bem solto, que a mãe fazia com os panados? a mãe nunca
mais cozinhou — e poder finalmente dizer-te a verdade:
morreste como uma árvore e eu fiquei sob o sol. Dantes

eras tu o maior tronco e eu não tinha como crescer. Nem
vou dizer-te — como, com dezassete anos? — o quanto te
quis insultar para te julgar vivo. Por isso este poema
quando ouço este filho a acertar contas com um pai —
coloca os teus punhos bem erguidos, pai, e deixa-me lutar
contigo uma última vez o grito de quem te quer vivo se
não mais para te dizer como foi importante morreres.
Disse-o, pai. E penso: como posso ser feliz com a vida
que tenho? Como? O Guilherme. E tu aqui, ele não mais
do que uma mentira. Raramente penso nisso, digo-te.
Mas esta música, pai. Este lamento. Quero lembrar
o arroz de tomate do nosso jantar e pensar que, mesmo
vivo, possível que fosse envelhecer contigo, mesmo
assim, pai, com o arroz de tomate e sem o Guilherme
eu seria tão feliz como hoje. E não consigo.





Alfredo Mendes

Almendra – Alcunhas e Falares

CM VILA NOVA DE FOZ CÔA


pessoa Alfredo Mendes, um histórico do jornalismo português, esteve durante três décadas ao serviço do Diário de Notícias, onde cobriu com enorme fulgor profissional todas as áreas, do desporto à economia, passando pela cultura e política. Nos últimos tempos, por força de uma muito prematura cessação da atividade jornalística, tem-se dedicado à realização de livros aliciantes. O mais recente, lançado há poucos dias, irá sem dúvida deleitar as populações nortenhas, com realce para as alto-durienses. A obra Almendra — Alcunhas e Falares representa um trabalho grandioso de pesquisa, reunindo mais de meio milhar de alcunhas e 2.600 Termos, Expressões e Aforismos de Almendra. É ilustrado por 66 fotografias antigas e atuais das gentes da terra, relevando a memória oral e visual coletiva. A edição, da Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa, pretende contribuir para o avivar de um precioso património imaterial que não se confina, apenas, àquela região, identificando-se com a proclamação de Miguel Torga: "O universal é o local sem paredes". Ao arrepio de saudosismos piegas, tal garimpar procura honrar a nossa prodigiosa cultura popular, os percursos das pessoas, as cumplicidades, os afetos, as suas vivências. Almendra — Alcunhas e Falares, no dizer do jornalista e escritor Ricardo de Saavedra, outra prestigiosa figura da Imprensa portuguesa, é um livro "com expressões lascadas nas fragas da vida". É também mais um pedaço de história de um concelho — Vila Nova de Foz Côa — com dois Patrimónios Mundiais.

• Quem estiver interessado em adquirir esta obra pode contactar o seguinte endereço: Posto de Turismo — Avenida Gago Coutinho e Sacadura Cabral —5150 Vila Nova de Foz Côa. Tel. 279760329.
• E-mail: turismo@com-fozcoa.pt . Preço: 8 euros.